blog do curso de Comunicação Empresarial do ISCAP
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quarta-feira, 18 de julho de 2007

Cultura, Identidade e Imagem

[a partir de Arminda Sá Sequeira]

Algumas noções a reter:


A identidade da organização constrói-se através de interpretações culturalmente influenciadas, detidas pelos públicos internos e externos. A cultura desenvolve-se a todos os níveis organizacionais por meio de histórias, comportamentos e artefactos materiais.
A cultura consolida e dá consistência ao grupo internamente mas, para além disso, direcciona-se aos interlocutores externos, dada a constante interacção da organização com estes.
As novas formas de trabalho e a maior abertura das organizações ao seu meio envolvente juntamente com as influências de pessoas que trabalham ora dentro, ora fora das organizações, originaram a queda das barreiras à comunicação. Existe actualmente alguma dificuldade em classificar os públicos relevantes em internos ou externos.

“A cultura deve ser encarada como um contexto simbólico dentro do qual interpretações da identidade organizacional são formadas e intenções para influenciar a imagem da identidade organizacional são formuladas”.
[Arminda Sá Sequeira]

A definição e a experiência de nós próprios, influenciadas pela nossas actividades e crenças enraizadas e justificadas por assunções culturais e valores são componentes da identidade. A nossa identidade é moldada por padrões culturais, determinando os nossos comportamentos e transmitindo, assim, uma imagem fiel do que somos.
Dessa forma, quer as iniciativas de gestão para manipulação da imagem como a interacção diária entre a organização e os públicos externos - que molda comportamentos culturalmente induzidos, promove a adesão dos públicos a objectivos definidos pela gestão e defende, em todas as suas acções a imagem da organização -, são influenciados pelo contexto cultural.

“É necessário compreender porque razão agem as pessoas de uma determinada maneira, quais os valores em que acreditam, que formas encontraram ao longo do tempo para resolver os seus problemas de adaptação externa e integração interna, que pressupostos inventados, descobertos ou desenvolvidos pelo grupo foram transmitidos aos novos membros, como sendo a maneira correcta de agir e pensar em relação a determinados problemas.”
[Shein]

Os valores intrínsecos ao grupo tornam os comportamentos daí resultantes mais consistentes. Estes comportamentos necessitam assim de muito menos controlo externo da acção.
Os símbolos da cultura organizacional são importantes fontes de construção da imagem, moldando a identidade – o núcleo central da cultura da organização.
A utilização dos artefactos culturais irá apresentar uma imagem interpretada pelos outros – a identidade cultural -, imagem essa que é interpretada pelos outros enquadradas nas suas culturas.
Quanto mais se abre a cultura organizacional às influências externas, mais a imagem e a identidade organizacionais se tornam interdependentes, formando uma relação circular de interdependência mútua.

“[A identidade organizacional] é um produto auto-reflexivo, resultado dos processos dinâmicos da cultura organizacional”
[Hatch]

A consistência da imagem organizacional tem origem naquilo que individualiza a organização – a sua identidade – e deve estar envolvida pela sua cultura própria – a consolidação dos seus padrões e comportamentos, a sua imagem visível – não devendo ser exteriorizada apenas pelas formas mais ou menos controladas de comunicação definidas pela gestão. Esta imagem organizacional deve chegar ao exterior da organização também através do que esta diz e faz, através dos seus comportamentos e atitudes e da interacção dos seus membros com os interlocutores externos.

O papel da liderança neste processo é essencial pois esta corporiza símbolos organizacionais através da visão e estratégia para a organização e estão sujeitos ás interpretações que públicos internos e externos fazem da sua acção. Esta interpetação define, internamente, a coesão. Externamente, será responsável pelo reconhecimento e adesão em relação à organização.
Neste sentido, o papel da liderança é bastante complexo devendo estes actores, segundo Hatch e Shultz, responsabilizar-se pelo seu eu simbólico e reflectir sobre as suas afirmações, comportamentos e imagens externas, tomando consciência da forma como os outros os interpretam a si e às organizações, reagindo estratégicamente.

Mas a gestão da imagem não deve centrar-se apenas nas interpretações externas. Deve também complementar-se com o estudo das fontes internas de identidade e imagem e das formas como os intervenientes internos interpretam a imagem externa da organização.

Desta forma, a imagem organizacional torna-se o resultado das interacções em curso, de todos os níveis hierárquicos, a gestão intermédia sob a influência dos gestores de topo. A distinção entre o interno e o externo dilui-se e a identidade organizacional passa a receber influência de uma imgem organizacional numa rectroacção constante provocada por uma progressiva abertura.

sexta-feira, 6 de julho de 2007

Percepção e Realidade

A IMAGEM DA EMPRESA PODE ENEVOAR-SE SE O SECTOR DE COMUNICAÇÃO NÃO TRABALHAR PARA ASSEGURAR A TRANSPARÊNCIA.
Tom Kowaleski, World Business, Maio-Julho 2007, pág.11

As empresas incluem cada vez mais o responsável pela comunicação na direcção executiva. Em cerca de metade das 500 maiores empresas da Fortune, eles reportam ao director executivo. Isto levou à redefinição do papel tradicional daquilo que erea designado “relações públicas”. Deixou de ser um disseminador da informação criada pela liderança da empresa e passou a ser parceiro no desenvolvimento dos valores da empresa. Mas à medida que a divisão entre as responsabilidades da comunicação e as das outras funções da gestão começou a diluir-se, as relações entre ambas tornaram-se mais complexas e desafiantes.
A comunicação moderna proporciona uma janela para as percepções de todos os que estão envolvidos com a empresa, de empregados a clientes, de reguladores a críticos. Assimila a informação gerada por cada um deles e transforma-a em informação essencial para a gestão monitorizar o espaço entre a posição real da empresa e a percepção que os outros têm dela. A comunicação moderna pode ainda desenvolver outros canais de diálogo. Desde que bem feita, é inquisitiva, empenhada e trabalha continuamente para assegurar a transparência entre aquilo que a empresa transmite e o que realmente faz.
Valerie DiMaria, antiga responsável da Motorola Global Communications, está a liderar um grupo de maiores profissionais do sector para criar o livro branco desta matéria para a Arthur W. Page Society, o grupo mais avançado dos profissionais seniores de comunicação. “Estamos a fazer este trabalho porque observámos a tremenda mudança a decorrer na área da globalização. Isso está a forçar as empresas a repensar os canais tradicionais de comunicação para formas totalmente novas”, diz. “Com a explosão dos novos canais de envio de mensagens da Internet, quase todos podem funcionar da mesma forma. A função de comunicação tem de estar envolvida no apoio à gestão sénior para pôr todas as pessoas envolvidas com a empresa de acordo com as novas regras.”
A Internet permitiu ao mundo estar ligado em tempo real. Hoje vivemos numa rede de comunicação global onde qualquer pessoa, em qualquer lado, tem capacidade e poder para moldar percepções e tendências. Todos podem expressar diariamente o seu ponto de vista e ser escutados por milhões no instante seguinte. Os bloggers, uma vez considerados como um grupo à parte do jornalismo tradicional, funcionam actualmente como fracção importante do processo informativo. Como consequência, as empresas são chamadas à pedra de imediato quando as suas acções não correspondem às suas palavras. E quando isso não as pára, a resposta é imediata, directa, muitas vezes brutal em termos de avaliação e potencialmente devastadora para reputações cuidadosamente construídas ao longo de anos. A BP, cuja imagem ficou de rastos a seguir aos desastres do Alasca e do Texas, é um bom exemplo. Seja qual for a forma de avaliar, a BP fez um grande trabalho na definição de um posicionamento único, através da sua separação em relação ao que é vulgarmente designado “grande companhia petrolífera”. A execução desta estratégia foi impecável. O seu posicionamento, beyond petroleum [além do petróleo], é visual e apelativo. Foram gastos milhões a comunicar boas intenções e trabalhos bem feitos a uma lista impressionante de pessoas em todo o mundo. Foi um excelente trabalho, de qualquer forma, e estou seguro de que a equipa de comunicação teve papel importante nisso. Mas quando os acidentes no Alasca e no Texas ocorreram e implicaram a BP, tudo o que tinha sido construído caiu por terra. Uma poderosa rede de críticos e de pessoas envolvidas de alguma forma com a empresa, desde empregados a accionistas e órgãos de comunicação, juntaram forças para atacar a companhia por todo o lado.
Neste ponto o pessoal da comunicação pode, mais do que isso, deve aconselhar a gestão a entrar em conversações, a ouvir as críticas mais severas e admitir os problemas, para além de comunicar de forma clara as acções correctivas a tomar e relembrar a todos o grande trabalho feito até à data. Isso pode e deve providenciar a compreensão de que, por detrás de cada posição brilhante, há responsabilidade e acções credíveis. É evidente que a gestão pode ou não aceitar o conselho. Tendo em conta isto, poderia o grupo de comunicação da BP ter feito melhor após a ocorrência do facto? Talvez. Mas também o resto da gestão sénior o poderia ter feito. Poderia o grupo de comunicação ter alertado melhor a gestão sénior para as consequências do desastre? Sim. Mas também o poderiam ter feito outros que estivessem mais perto da acção, com melhor conhecimento sobre os perigos potenciais. Os grupos de comunicação poderão ter um papel mais influente nas empresas do que antes. Mas a responsabilidade de comunicar deve ser de todos os trabalhadores da empresa.

Comunicação Institucional Estratégica

Colectânea textos acerca da Comunicação Institucional Estratégica.
Adaptação das leituras da Professora Arminda Sequeira.
A ler no http://www.fractura.net/comunicacao/.

Publicados até à data:
Comunicação Institucional

a) Mix de Comunicação

a.1) Personalidade Organizacional

a.1.1) Pressupostos

a.1.2) Atitude

a.1.3) Missão

a.1.4) Objectivos

a.1.5) Visão

b) Cultura, Identidade e Imagem

b.1) Cultura Organizacional